Oficina de Linguagem Cinematográfica


Nos dias 19 e 20 de outubro o NPD - Niterói ofereceu a Oficina de Linguagem Cinematográfica ministrada pelo cineasta Philippe Barcinski. A Oficina foi dividia em três aulas teóricas e na exibição do filme Não Por Acaso, com Rodrigo Santoro e Letícia Sabatella, dirigido por Barcinski.




Na primeira aula, Barcinski apresentou aos alunos conceitos básicos da linguagem cinematográfica. O plano, o contra-plano, o corte, o ponto de vista, o raccord, a decupagem e outros termos que são familiares a cinéfilos e cineastas foram demonstrados em sala a partir de trechos de filmes como Um Corpo que Cai, Cidadão Kane, O Iluminado, O Silêncio dos Inocentes e outros. A aula foi dedicada à análise da construção da linguagem cinematográfica desde o início do século (quando a câmera era posicionada frontalmente à ação, adaptando a perspectiva do espectador de teatro para o cinema) até os dias de hoje (nos quais a câmera possui total liberdade para recortar o espaço), passando pelos filmes clássicos narrativos hollywoodianos (nos quais a gramática do cinema era usada para contar histórias de forma clara, evitando a ambigüidade).

A segunda aula foi concentrada nas vanguardas artísticas que elevaram o cinema, até então apenas uma forma de entretenimento, ao status de arte. Passando pelos filmes futuristas dos anos de 1920 e pelo expressionismo alemão, a aula seguiu para o neo-realismo italiano e a nouvelle vague francesa. O primeiro movimento tirou o cinema dos estúdios, levando a câmera para as locações e trabalhando com não-atores. O segundo rompia com as regras de montagem e a duração de planos, estabelecendo um novo estilo narrativo completamente anti-hollywoodiano.  Ainda foram discutidas as questões de verdade e verossimilhança no cinema e os efeitos que as vanguardas artísticas tiveram nas gerações dos anos de 1970 e 80.  

Na terceira aula, o cineasta exibiu dois de seus curtas, A Escada e Palíndromo, e trechos do material bruto de Não Por Acaso e do episódio de Cidade dos Homens dirigido por ele, para exemplificar os problemas que um diretor pode encontrar durante a feitura de um filme e as opções disponíveis para ele no momento da decupagem ou da filmagem de uma sequência. O curso foi finalizado com um exercício no qual os participantes deveriam assistir a um plano-seqüência (integrante do material bruto de Não Por Acaso) e, a partir dos conhecimentos adquiridos durante a oficina, decidir onde deveriam ser acrescentados planos de cobertura e que tipo de planos eles deveriam ser.







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Mundo chega à Niterói em Junho

O mundo das pessoas com Síndrome de Down é tema do próximo Cine Debate

Cine Nikiti discute a violência urbana no doc "Mataram Meu Irmão"